cassino

Não sabia dizer em que noite estava, em qual cassino se encontrava, quem eram aquelas pessoas. Apenas sorria e segurava um copo quase vazio com as duas mãos. Sentia que estava mais uma vez iniciando uma fase de novas angústias. Essas fases sempre começavam com um branco, um lapso, aquela crise dissociativa, como chamava seu psiquiatra, o Dr Russo.

Já acostumada com suas crises, apenas parava e esperava que alguma coisa ou alguém desse uma pista do que se passava. Olhava o movimento da roleta e aquilo a deixava nauseada. “Número 23”. Tentava se lembrar do número do quarto onde estava hospedada. “Vence o senhor de traje Campari”. Olhava fixamente para aquele homem de terno vermelho, todo suado, peludo, reunindo fichas com os braços, numa voracidade que lembrava um demônio recebendo novas almas no inferno.

Queria estar longe dali. Mas onde? Não sabia dizer nem o seu nome completo. Teria que aguardar mais alguns minutos até que sua confusão passasse. Um gole da sua bebida. Fez uma careta. Aquilo era vodka e já tornara-se intragável. Olhou para o copo, estariam ali mais dois ou três goles. Sentiu-se novamente nauseada. Bebeu o que restava do copo. Outra careta. “Preciso parar de beber isso”, pensou. Suas crises dissociativas eram inevitáveis com vodka. “Garçom, um whisky por favor”. Disse, agora em um lugar mais familiar.

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