Desenhando no ar com a fumaça do seu cigarro sem filtro, Danna pensava em Augusto. Nunca desejou tanto ser fotografada como naquele momento. Sentia-se bonita, cotovelos sobre o balcão, cabelos soltos, o sol da manhã em seu rosto pálido. Aquela aula já não chamava sua atenção. O curso de fotografia que tanto queria começar agora parecia ter sido o acaso colaborando com sua necessidade de encontrar um namorado. Augusto era o candidato ideal.
Estivera por acaso em sua mostra individual. Uma foto chamou sua atenção: um cão morto, talvez atropelado, com o intestino para fora da barriga. Era nojenta, mas fazia algum sentido para ela. Pensou em todos aqueles cães mortos em estradas, avenidas movimentadas e o descaso dos motoristas, transformados em assassinos pela ingenuidade daqueles animais perdidos.
Pensou em procurar o fotógrafo para perguntar sua intenção, mas sentiu-se imediatamente encabulada por ter tantas considerações sobre uma foto tão grosseira.
Não foi preciso nenhum movimento, Augusto estava atrás de Danna observando sua nova admiradora. “Gostou?”, perguntou-lhe quase ao pé do ouvido. Danna surpreendeu-se mais com a beleza de Augusto do que com sua investida. Seria aquele garoto de olhos verdes a sua nova tentativa de encontrar alguém.




