Quando revelo um segredo e não obtenho disso a normalidade que tanto esperava, fico com aquele nó na garganta, a sensação de que a catarse tão desejada não foi levada a cabo. Nenhum mistério. Revelo o segredo, mas isso não é o gatilho para o mais importante: o confronto entre a minha angústia e o seu julgamento.
Desejo ser julgado, questionado, sabatinado, o alvo das suas questões mais desafiadoras. Quero ser julgado para, finalmente, segredo dissecado, ser absolvido e continuar vivendo. Agora livre para cometer o próximo crime.
Por que o confronto não ocorre? O que não foi dito? Omito partes da verdade para barganhar sua compaixão. E você comodamente aceita minha meia verdade, talvez desejando encerrar o assunto. Meu segredo o deixa desconfortável e você prefere ouvir e esquecer. Percebo sua estratégia, mas me satisfaço com a aceitação que seu esquema transparece. “I win”.
Do i?




