Recorrer a definições poéticas de liberdade torna-se inevitável nesse momento, mas resisto e sigo um caminho diverso, definindo liberdade usando os poetas de outra maneira.
Sempre considerei que a possibilidade de atingir a liberdade não estivesse presente na vida de todos. Não que liberdade seja algo inatingível para aqueles que nunca a alcançarão, mas porque talvez liberdade não seja algo que elas queiram.
Os poetas desejavam liberdade desde que se perceberam como homens. A capacidade de entrar em contato com o que sentem de uma forma tão eficiente que a manifestação disso seja ultrapassar a barreira de seus próprios corpos e mentes e entrarem em contato com o que outros sentem. Isso pra mim é liberdade. Não estão livres de suas angústias torturantes ou de seus sofrimentos, de outra forma não seriam quem são. Mas o fluxo de suas idéias, da percepção ao juízo, do sentir ao lembrar, todos esses caminhos estão desimpedidos. Não encontram os obstáculos que encontramos para transformar o que sentem solitários em traduções perfeitas do que todo ser humano sente.
Dessa mesma forma possuem um elemento que considero essencial para alcançar a liberdade (talvez seja inclusive a tradução de ser livre): espontaneidade. Essa motivação interna bem definida presente nos poetas é a responsável por suas atitudes identificadas como livres (ou espontâneas). Surge então, desse interior bem estruturado, a negação de submissão e de subordinação ao que externamente nos influencia o pensamento e as ações. Esse embate traz a clareza de idéias necessária para a compreensão adequada do que é oferecido pelo mundo. Quem escolhe livre, escolhe melhor porque compreende melhor as alternativas. Daí a íntima relação entre liberdade e o ato de escolher.




