Que manifestações e experiências poderiam ser determinantes de um estado mental alterado? Tendo definidos quais os processos psíquicos que integram o funcionamento mental, mesmo considerando divergências quanto a alguns aspectos, devemos então definir quais as possíveis alterações nesses processos que determinariam doença. Filosoficamente podemos manter a discussão sobre o conceito de saúde mental, doença mental e normalidade/anormalidade em atividade combinando e colocando à prova tantas considerações quantas fossem surgindo com o passar dos anos. Entretanto já no início do processo de definição de doença mental, tendo conseguido ou não chegar a um conceito satisfatório, era necessário discutir o que tratar e como tratar. Se o dito estado mental alterado existe e produz desconforto, cabe identificá-lo de forma eficiente e tratá-lo. Partimos para uma nova questão: como indentificar manifestações psíquicas de forma organizada?
Observar: olhar ou examinar com minúcia. Cabe ao observador, não apenas perceber de forma completa o objeto, mas construir uma representação estruturada desse objeto de forma a compreendê-lo.
Quando o objeto da observação pertence ao campo das idéias, ou seja, constitui-se de manifestações do funcionamento mental, torna-se fundamental equipar a vista do observador. A simples percepção da manifestação, sem a compreensão dos processos que a determinam, seria um entrave à conquista de uma solução para o desconforto produzido pelo estado mental alterado.
O pensamento, a intuição, a sensibilidade são alguns dos pré-requisitos para ir além na observação. Mas sem entrar em detalhes em quais instrumentos seriam necessários para equipar a vista do observador, sigo definindo a importância dessa observação funcional. Organizar as manifestações de maneira a percebê-las como fatos e aplicar os conceitos de forma homogênea é sistematizar os fenômenos psíquicos, atingindo uma percepção mais real da experiência vivida pelo paciente. Essa sistematização é a chave para a descrição na psicopatologia.




