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Em resposta a um pedido de ajuda.
Você diz que está certa do seu desejo, que dele tem se alimentado por alguns anos e que com ele tem sonhado quase todas as noites (e os dias também).
Quanto tempo falta para que o desejo tão esperado se realize? Pouco?
Insinua-se então a possibilidade real de realização. Veio de forma tão inesperada e natural que você nem notou que daí surgiria uma questão.
Agora basta escolher: a realização do desejo ou apenas continuar vivendo com a satisfação atual?
A questão na verdade já estava pronta há muito tempo: quanto você estaria disposta a doar pela realização do seu desejo? Apenas não havia construído o que seria doado. Você estava apenas disponível, esperando ansiosa e de malas prontas para a sua nova vida. Mas e a passagem? Quanto custou?
Você ainda não havia comprado. Esperar e se desesperar pela realização de um desejo não é suficiente para conquistá-lo. E você sempre soube que não sairia barato subir qualquer mísero degrau em direção aos seus objetivos.
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Só uma opinião sobre a sua dúvida. Na verdade ela não é cruel. Tudo sempre foi cruel antes dela aparecer, não é mesmo?
d&a
Augusto deixou seu estúdio às 18h pouco preocupado com o mau tempo que se insinuava. Quinze minutos depois entrava todo molhado pela porta dos fundos da casa de Danna. Desejava tirar toda a sua roupa e tomar um banho quente. Desejava encontrar Danna deitada no sofa da sala, sonolenta, assistindo a algum programa de que os dois gostassem. Desejava beijá-la. Sentia sua falta todos os dias às 18 horas e quinze minutos.
Tirou com dificuldade seu paletó de veludo preto, tamanho G, justo nos ombros, mas comprido demais nas mangas e na barra. Era sempre questionado pelas suas roupas se seu corpo tinha algum formato anormal. Jogou o paletó todo embolado em uma cesta de roupas sujas. Tratava com certa raiva essas peças que o desafiavam. E quando estavam sujas era impiedoso. Despiu-se de sua camisa. Listas brancas e de um azul muito claro. Verticais. Calça e sapatos tirados em 5 segundos. Ficou apenas vestido de sua boxer preta.
Queria encontrar Danna daquele jeito. Surpreendê-la seminu. Beijá-la com toda a saudade que sentia diariamente e emendar uma hora de sexo. Estar seminu e pensar assim já o deixavam excitado. Andou calmamente até a sala de televisão que ficava escondida atrás do escritório e da sala de jantar. O lugar preferido na casa. Seu lugar preferido no mundo. Puxou com força a porta corrediça de madeira de lei. O que viu na sala de televisão transformou seu rosto. CONTINUA.
danna meets augusto.
Desenhando no ar com a fumaça do seu cigarro sem filtro, Danna pensava em Augusto. Nunca desejou tanto ser fotografada como naquele momento. Sentia-se bonita, cotovelos sobre o balcão, cabelos soltos, o sol da manhã em seu rosto pálido. Aquela aula já não chamava sua atenção. O curso de fotografia que tanto queria começar agora parecia ter sido o acaso colaborando com sua necessidade de encontrar um namorado. Augusto era o candidato ideal.
Estivera por acaso em sua mostra individual. Uma foto chamou sua atenção: um cão morto, talvez atropelado, com o intestino para fora da barriga. Era nojenta, mas fazia algum sentido para ela. Pensou em todos aqueles cães mortos em estradas, avenidas movimentadas e o descaso dos motoristas, transformados em assassinos pela ingenuidade daqueles animais perdidos.
Pensou em procurar o fotógrafo para perguntar sua intenção, mas sentiu-se imediatamente encabulada por ter tantas considerações sobre uma foto tão grosseira.
Não foi preciso nenhum movimento, Augusto estava atrás de Danna observando sua nova admiradora. “Gostou?”, perguntou-lhe quase ao pé do ouvido. Danna surpreendeu-se mais com a beleza de Augusto do que com sua investida. Seria aquele garoto de olhos verdes a sua nova tentativa de encontrar alguém.




