Archive for la maison de mon reve
dehors de la tète.
Da seqüência de eventos que me levaram a aparecer sentado naquela árvore eu não lembro, mas estava ali, sentado no primeiro galho de uma grande árvore ao lado de Elizabeth Savalla.
Algumas pessoas sentadas de frente para nós, dispersas sobre o gramado, nos observando com rostos tranqüilos, sorridentes, davam a impressão de ser aquela uma aula, uma aula de teatro provavelmente. Não lembro o que era dito, apenas que seus gestos eram largos e que Elizabeth Savalla olhava apenas para mim.
Olhava em meus olhos, sorria, falava e abria com freqüência os braços para ilustrar, talvez, alguma cena. Uma aula sim e eu parecia ser o único aluno, ao seu lado, ouvindo atento, seus olhos nos meus.
Mais alguns segundos daquilo (eu deveria estar ali há algum tempo) e sinto-me constrangido. Olho para o relógio e apenas sei que faltam 15 minutos para o fim da aula. Desço do galho e sento-me agora de frente para a árvore como todos os outros alunos. Elizabeth Savalla olha novamente em meus olhos, uma mão no peito e outra em minha direção e com um semblante triste diz “you left!”. Sinto sua decepção.
No final da aula sou questionado por ela: “o que achou da aula?”. Lembro imediatamente do livro “Great Expectations” do Dickens e dos trejeitos da senhora abandonada no altar quando jovem que aparece no início do livro.
Minha professora ilustre diz ter visto os dois filmes baseados nesse livro e cita, inclusive, os atores principais dos dois. Falo alguma coisa sobre as cores do segundo e penso que talvez não seja educado comparar seus gestos largos e sua atitude em aula com uma senhora que foi deixada pelo noivo no altar e vive há anos da memória desse dia trágico.
Sem precisar despistar sou acordado e a cena se desfaz.
E dai? Bom, diante desse sonho, que nem foi bizarro, eu me pergunto: por que Elizabeth Savalla?




