insônia

perco o sono ao pensar que seguirei sendo assim por mais um dia

ainda me comportarei como hoje

farei de novo amanhã e depois

perco o sono pra adiar a transformação em mim:

do mal-estar do dia ao dia a mais de mal-estar

once again

mais uma vez o corpo se arrasta, encosta e se insinua

mais uma vez sente o calor e gruda

mais uma vez alguém disposto a ir além

e vamos além

mais uma vez percebo que ir além é muito mais que apenas se entregar

medo

eu só peço que você não se afaste por um comportamento meu que não está totalmente explicado

não acho que em nossa amizade haja apenas um caminho: a decisão de onde ir com nossos sentimentos um pelo outro

os sentimentos existem, estão assim meio confusos na minha cabeça, provocando certo incômodo na sua, mas eles existem

e penso ainda que os que eu sinto por você, por mais que eu não tenha a capacidade de nomeá-lo no momento (por medo, que seja), são importantes pra mim o suficiente para não deixar que você se afaste

então não se afaste

minha vida emocional não está atribulada e nem estou em um vazio completo, tenho algumas questões que preciso resolver antes de encontrar alguém definitivo (que é o que eu pretendo achar um dia)

não se decepcione comigo por ter levantado uma questão junto a você e não ter levado adiante, desculpa se agora deixo você em alguma expectativa

não era a minha intenção, eu queria na verdade definir melhor o que ainda sentia por você e acabei percebendo que gosto de você, penso em você como uma parte fundamental no meu processo de escolha do tipo de cara que quero do meu lado, ainda fantasio estar junto com você

mas se antes eu era imaturo (o que não faz muito tempo), hoje estou no limite da minha solução, sinto que não vivo mais um ano sem resolver as questões que talvez você já tenha resolvido, esse é meu turning point

não quero que você espere ou coisa parecida

vá vivendo, eu irei também

apenas não se afaste mais do que eu já o tenho mantido afastado

essas eram as bobagens que eu não conseguiria dizer no telefone

escrevi tudo muito rápido, sem parar para pensar

espero que eu não te irrite mais

eu te adoro e não tenho como esquecer o quanto eu cheguei perto de alguma coisa plena naqueles dias com você

ainda penso na sua foto que eu tirei na praia, você lá na água, olhando para baixo, cabeça virada para a direita, camiseta branca, calção preto

você estava lindo e eu estava apaixonado

não sei como fazer para percorrer todos os caminhos pelos quais passei até hoje, revendo todos os detalhes, para um dia conseguir chegar a sentir aquela sensação que senti quando tirei a foto

acho que estou sendo cruel em dizer tudo isso e não correr para os seus braços, mas acho que não quero ser irresponsável de magoar alguém e nem quero perceber que era tudo uma fantasia

talvez essa seja a definição de medo

o que tenho feito…

Não há dúvidas de que o observador é um sujeito ativo, não só responsável pelo processo de observação, mas também determinante das características desse processo. Seus conhecimentos, sua cultura, seus preconceitos, todos estão presentes no momento da observação. Ele influencia e é influenciado desde o primeiro contato. Surge daí uma questão: a qualidade o fenômeno observado, suas características, suas peculiaridades, não serão em boa parte apenas o reflexo do processo experimentado pelo observador? Considerando que isso seja verdadeiro, torna-se fundamental a estruturação do processo de observação, a já citada sistematização, para que se minimize o conteúdo do observador presente no relato ou descrição do fenômeno.

Mas considerando não apenas a descrição e verificação posteriores do fenômeno, mas o momento em que se passa a experiência, quais os mecanismos dessa influência mútua?

A apreensão do observador está alterada de alguma forma, quando a informação internalizada entra em contato com seu funcionamento mental. A presença do observador também causa no observado algumas alterações em seu funcionamento, modificando o resultado final de sua experiência. Mas a maneira como essas mudanças determinam o processo fenomenológico, se há prejuízo ou ganho, ainda não são claras. Esse jogo deve incluir em seus cálculos a certeza dessas influências.

o que tenho feito…

“Os fenômenos constituem o mundo como nós o experimentamos”. Segundo Kant, não é acessível ao homem o mundo como ele é sem o véu de nossas experiências. Não percebemos o mundo, percebemos o nosso mundo. Dessa forma, mesmo que seja crucial definir os limites entre esses dois mundo para muitos filósofos e para aqueles interessados em atingir um outro patamar de esclarecimento, ainda torna-se fundamental organizar os fenômenos constituintes dessa experiência. O funcionamento mental determina a forma como apreendemos as experiências. A configuração final dessa processo é o fenômeno.

o que tenho feito…

Recorrer a definições poéticas de liberdade torna-se inevitável nesse momento, mas resisto e sigo um caminho diverso, definindo liberdade usando os poetas de outra maneira.

Sempre considerei que a possibilidade de atingir a liberdade não estivesse presente na vida de todos. Não que liberdade seja algo inatingível para aqueles que nunca a alcançarão, mas porque talvez liberdade não seja algo que elas queiram.

Os poetas desejavam liberdade desde que se perceberam como homens. A capacidade de entrar em contato com o que sentem de uma forma tão eficiente que a manifestação disso seja ultrapassar a barreira de seus próprios corpos e mentes e entrarem em contato com o que outros sentem. Isso pra mim é liberdade. Não estão livres de suas angústias torturantes ou de seus sofrimentos, de outra forma não seriam quem são. Mas o fluxo de suas idéias, da percepção ao juízo, do sentir ao lembrar, todos esses caminhos estão desimpedidos. Não encontram os obstáculos que encontramos para transformar o que sentem solitários em traduções perfeitas do que todo ser humano sente.

Dessa mesma forma possuem um elemento que considero essencial para alcançar a liberdade (talvez seja inclusive a tradução de ser livre): espontaneidade. Essa motivação interna bem definida presente nos poetas é a responsável por suas atitudes identificadas como livres (ou espontâneas). Surge então, desse interior bem estruturado, a negação de submissão e de subordinação ao que externamente nos influencia o pensamento e as ações. Esse embate traz a clareza de idéias necessária para a compreensão adequada do que é oferecido pelo mundo. Quem escolhe livre, escolhe melhor porque compreende melhor as alternativas. Daí a íntima relação entre liberdade e o ato de escolher.

o que tenho feito…

Sinto-me ainda pouco confortável em utilizar o conceito de doença mental como perda da capacidade de fazer escolhas. Seja por incapacidade em definir que escolhas seriam essas, seja por considerar que a aplicabilidade desse conceito em nossa prática diária é quase nula, a verdade é que essa definição não me satisfaz. Ainda sigo minha intuição de há 7 anos, quando considerei que doença mental era o prejuízo do funcionamento geral do indivíduo determinado por um processo mental. Importante para mim nessa definição, mais do que a determinação de uma disfuncionalidade, é a percepção de que o processo mental determinante dessa condição pode ser alterado ou não. Pensar dessa forma me faz compreender melhor os transtornos de personalidade, os processos neuróticos tardios, entre outras entidades psiquiátricas.